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( Chico Xavier - ditado por André Luiz )

domingo, 18 de julho de 2010

DIA DO TROVADOR 18 de Julho


Jorge Amado já disse: “Não pode haver criação literária mais popular e que mais fale diretamente ao coração do povo do que a trova. É através dela que o povo toma contato com a poesia e por isto mesmo a trova e o trovador são imortais”. Hoje é comemorado o Dia do Trovador. Volta Redonda tem representante na UBT (União Brasileira de Trovadores): Silvia Helena Xándy, que é delegada da entidade no município. E também um autor premiado, Pedro Viana Filho.

Silvia explica que o Dia do Trovador é comemorado nessa data por ser o dia do nascimento de Gilson de Castro (RJ), cujo pseudônimo literário é Luiz Otávio. “E por ele ter, juntamente com J.G. de Araújo Jorge, começado a estudar e propagar a quadra popular brasileira junto a um seleto grupo de poetas”, diz. Em 1960, depois de participar de um Congresso do GBT (Grêmio Brasileiro de Trovadores), em Salvador, Luiz Otávio implantou uma série de seções desta entidade no sul do Brasil.

Mas o que é trova? “A trova é uma composição poética concisa. É um micro poema, o menor da língua portuguesa, que deve obedecer a características rígidas”, enfatiza Pedro Viana. É preciso que a trova seja uma quadra, ou seja, tenha quatro versos (em poesia cada linha é denominada verso). E cada verso deve ter sete sílabas poéticas, ser setessilábico. As sílabas são contadas pelo som. Ter sentido completo e independente.

- O autor da trova deve colocar nos quatro versos toda a sua idéia. A trova tem apenas quatro versos, ou seja, quatro linhas. A trova, para ser bem feita, tem de ter um achado. Achado é algo diferente e que faça valer a pena ler a trova - explica.

Parece complicado. Afinal, é fácil fazer trovas? “Uma vez que a trova é composta de quatro versos ou linhas de sete sons, é só educar o ouvido e aprender a contar as sete sílabas métricas”, resume Pedro Viana, que nasceu em Barra do Piraí e mora em Volta Redonda. Licenciado em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia e Letras de Volta Redonda, onde se tornou diretor cultural e promoveu o primeiro concurso de trovas, em 1978.

Outro aspecto importante é que a trova tem que ter rima. Conforme Silvia, a rima poderá ser do primeiro verso com o terceiro e o segundo com o quarto, no esquema ABAB, ou ainda, somente do segundo com o quarto, no esquema ABCB. Existem trovas também nos esquemas de rimas ABBA e AABB. “Comece a trova sempre com letra maiúscula. A partir do segundo verso use letra minúscula, a menos que a pontuação indique o início de nova frase. Nesse caso, use a maiúscula novamente”, detalha a escritora, acrescentando que são três os gêneros básicos da trova:

Trovas líricas - Falando dos sentimentos, amor, saudade;

Trovas humorísticas (satíricas) - São as que fazem rir, engraçadas, tem bom humor;

Trovas filosóficas - Contendo ensinamentos, pensamentos.

NO BRASIL - A trova chegou ao Brasil com o os portugueses, continuou com Anchieta, Gregório de Matos, intensificou-se com Tomaz Antonio Gonzaga, Claudio Manuel da Costa, com os românticos - Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu, Castro Alves, com os parnasianistas - Olavo Bilac, Vicente de Carvalho e com os modernistas - Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade.

A trova é, hoje, o único gênero literário exclusivo da língua portuguesa. Originária da quadra popular portuguesa, encontrou campo fértil no Brasil, mas só depois de 1950 começou a ser estudada e difundida literariamente.

‘Achando’ o motivo da poesia

O trovador na Idade Média era um poeta ambulante que cantava seus poemas ao som de instrumentos musicais; menestrel; poeta. O termo trova, do francês, “trouber” (achar) indica que os trovadores devem “achar” o motivo de sua poesia ou de suas canções. Originária da quadra popular portuguesa, a trova teve no Brasil um desenvolvimento inusitado, e é hoje praticada por mais de três mil trovadores.

A trova tem uma organização de âmbito nacional, a UBT (União Brasileira de Trovadores), com delegacias e/ou seções em quase 200 cidades do Brasil e com um organograma de presidência nacional, regional e estadual, cobrindo 16 estados do Brasil. Realiza, em média, de 30 a 40 concursos de trovas e/ou jogos florais por ano, além de manter um intercâmbio intenso com os trovadores de Portugal.

Conversa literária: exemplo de trova

(Pedro Viana Filho)

Para alguns eu sou benquisto
para outros, um atrevido...
Meu consolo é que nem Cristo
foi por todos compreendido.

As espadas ferem tanto,
como também os punhais...
A língua humana, entretanto,
é menor e fere mais.

O que na vida aprendi
e tenho aprendido mais,
provém das lições que ouvi
das tradições dos meus pais.

Trovador, qual o motivo
desse teu mundo risonho?
O segredo é porque vivo
envolvido no meu sonho!

Fonte: www.diarioon.com.br

O termo trova, do francês, "trouber" (achar) nos indica que os trovadores devem "achar" o motivo de sua poesia ou de suas canções. Segundo Aurélio Buarque de Holanda, trovador é "na Idade Média, poeta ambulante que cantava seus poemas ao som de instrumentos musicais; menestrel; poeta; vate".

Originária da quadra popular portuguesa, a trova teve no Brasil um desenvolvimento inusitado, e é hoje praticada por mais de 3000 trovadores em todo o país; possui até uma organização de âmbito nacional, a UBT - União Brasileira de Trovadores. Esse gênero literário é considerado, atualmente, o único gênero exclusivo da língua portuguesa! Começou a ser estudado e difundido só depois de 1950, propagado pelo poeta carioca Gilson de Castro (que, mais tarde, adotaria o pseudônimo literário de Luiz Otávio) juntamente com J.G. de Araújo Jorge.

A UBT foi fundada em 1966, adotando uma rosa como símbolo da organização e tendo como padroeiro São Francisco de Assis. Em reconhecimento pelo trabalho de Luiz Otávio em favor da cultura, a Assembleía Legislativa do Estado de São Paulo, através de decreto-lei, oficializou 18 de julho, data de nascimento do poeta, como Dia do Trovador.

Gêneros da Trova

A- Trovas Líricas: Falando dos sentimentos; amor, saudade, etc.

Saudade palavra doce
que traduz tanto amargor;
saudade é como se fosse
espinho cheirando a flor...(Bastos Tigre)

B- Trovas Filosóficas: Contendo ensinamentos, máximas, pensamentos, etc.

Duas vidas todos temos,
muitas vezes sem saber:
-- a vida que nós vivemos,
e a que sonhamos viver...(Luiz Otávio)

C- Trovas Humorísticas: Como o próprio nome diz, são trovas que se propõem a fazer rir.

Eu, trabalhar desse jeito,
com a força que Deus me deu,
pra sustentar um sujeito
vagabundo que nem eu ???...(Orlando Brito)

Fonte: Kakinet, Soleis

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