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"O Segredo da vitória, em todos os setores da vida, permanece na arte de aprender,imaginar,esperar e fazer mais um pouco."
( Chico Xavier - ditado por André Luiz )

segunda-feira, 19 de julho de 2010

DIA DA CARIDADE 19 de Julho



O que é a caridade?

No versículo 3 do capítulo 13 da primeira Epístola aos Coríntios, o grande São Paulo diz

“Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!”.

Isto quer dizer que mesmo na distribuição de todos os meus bens em sustento dos pobres… pode não existir caridade?

Resposta

São Mateus narra que um doutor da lei, a mando dos fariseus para tentá-lo, perguntou a Jesus: “Mestre, qual é o grande mandamento da lei? Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu espírito.

Este é o máximo e primeiro mandamento.

E o segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas” (Mt 22, 36-40).

Como, pois, São Paulo parece separar uma forma de caridade (amor de Deus) da outra (amor do próximo)? A exaltação da caridade, que se encontra no referido capítulo 13 da primeira Epístola aos Coríntios, é considerada uma das mais belas páginas da Sagrada Escritura, não só por seu conteúdo, como também por sua forma literária.

Ao falar da caridade, São Paulo multiplica os contrastes para levar seus ouvintes aos mais altos páramos possíveis do amor de Deus, nesta Terra.

Interpretam alguns comentaristas que ele evoca essa situação para mostrar quanto o amor de Deus é superior ao amor ao próximo.

Isto para mostrar que de nada valeria praticar os mais insignes atos de desprendimento de si mesmo e de amor ao próximo, sem possuir amor de Deus!

Segundo essa interpretação, a separação entre o amor ao próximo e o amor de Deus é um recurso oratório que São Paulo utiliza para mostrar aos destinatários de sua carta quanto devem crescer no amor de Deus para que cresça ao mesmo tempo seu verdadeiro amor ao próximo.

Assim dizem alguns comentaristas.

Este caso nos mostra como é uma utopia pretender que cada fiel chegará sozinho a interpretar adequadamente a Sagrada Escritura sem a ajuda dos estudiosos, que se dedicam a estudá-la e analisá-la, em conformidade com os Santos Padres e Doutores da Igreja, para explicar as incontáveis passagens que estão acima da compreensão dos simples fiéis.

Daí o fenomenal equívoco de Lutero, de declarar que cada indivíduo está em condições de interpretar, por si mesmo, a palavra de Deus constante das Sagradas Escrituras.

Isso nos leva a entender também quão sábia é a Igreja em formar longamente os pregadores.

Lei Nº 5.063, 04/07/1966

Estamos vivendo a Terceira Revolução Industrial. Com a informatização andando a passos galopantes, acompanhamos com muita preocupação as taxas de desemprego em todo o mundo crescendo com muita rapidez.

Se os governos cada vez mais enxugam suas máquinas, se os empregados cada vez mais são substituídos por equipamentos, o que esperamos, a partir de 2005, é ver um número cada vez maior de excluídos.

Num país em desenvolvimento como o nosso, a exclusão social, que hoje já é imensa, será motivo de uma mobilização cada vez maior da nossa sociedade. A caridade é instrumental essencial para que o triste quadro se reverta.

A saúde, educação, moradia, qualidade de vida e tantos outros, são temas que têm de sair das manchetes dos jornais e das revistas para fazer parte da vida de todas as pessoas.

Somente a sociedade civil, os governos e as empresas, unindo esforços e colocando a mão na massa, é que irão conseguir minimizar os efeitos da globalização e desta nova revolução.

O segundo setor (empresas com fins lucrativos) finalmente começa a romper a barreira com o terceiro (empresas sem fins lucrativos), a medida que a profissionalização e a identidade do mesmo começam finalmente a sair do lugar.

Ações importantes de responsáveis de diversas áreas já sentem resultados bastante satisfatórios.

Até os colégios, desde o ensino fundamental, já par

A caridade nunca acabará.

Entre a Antiguidade e a Era Cristã, a grande diferença estabelecida no relacionamento social foi a introdução da lei da caridade, por Nosso Senhor Jesus Cristo. Surgiram assim, ao longo de dois mil anos, incontáveis instituições voltadas para atender às carências dos "pequeninos".

Preencher um formulário com os dados pessoais constitui um dos rituais da vida moderna. Pode ser uma ficha de inscrição para um curso ou um emprego, um requerimento para renovar um documento, um formulário para abrir uma conta bancária ou simplesmente para ter acesso a determinados sites da internet. Os campos se repetem com monotonia: nome, endereço, filiação, RG, local de nascimento, data de nascimento...tem rumo ao novo milênio, conscientizando os futuros cidadãos sobre a importância da caridade, da filantropia e do exercício da cidadania.

Está provado que o indivíduo que exerce um trabalho voluntário vive mais e é muito mais feliz. Perto de você, há sempre uma pessoa, uma família ou uma entidade precisando do seu trabalho, da sua ajuda e do seu amor!

Fonte: WMulher, Soleis


A caridade nunca acabará.

Entre a Antiguidade e a Era Cristã, a grande diferença estabelecida no relacionamento social foi a introdução da lei da caridade, por Nosso Senhor Jesus Cristo. Surgiram assim, ao longo de dois mil anos, incontáveis instituições voltadas para atender às carências dos "pequeninos".

Preencher um formulário com os dados pessoais constitui um dos rituais da vida moderna. Pode ser uma ficha de inscrição para um curso ou um emprego, um requerimento para renovar um documento, um formulário para abrir uma conta bancária ou simplesmente para ter acesso a determinados sites da internet. Os campos se repetem com monotonia: nome, endereço, filiação, RG, local de nascimento, data de nascimento...
Quantas vezes já escrevemos o ano do nosso nascimento... E, à medida que as décadas se sucedem, de cada vez que preenchemos aqueles invariáveis algarismos, um pequeno sobressalto nos sacode: "Meu Deus, como o tempo corre!" Aquela data nos evoca, por vezes, fatos ocorridos há decênios. E quanto mais distantes, mais viva a impressão de terem acontecido ontem, dando-nos uma tênue imagem da eternidade, onde não existe o tempo e tudo é presente. Para cada pessoa, esse simples número de quatro algarismos tem um grande significado, pois ali se inicia uma história que se encerrará no dia do Juízo Universal, diante de Nosso Senhor Jesus Cristo e de toda a humanidade.

Nesse ato banal de contar os anos, quantos desdobramentos se escondem! Por exemplo, qualquer que seja o ano no qual nascemos, ele nos indica ter ocorrido na Era Cristã.

A diferença entre duas eras

Mas já imaginou, leitor, como seria se você, em vez de vir ao mundo em pleno século XX, tivesse vivido há dois ou três mil anos, numa civilização pagã?

Nem consideremos as condições materiais de vida, como os cuidados médicos ou o conforto. Voltemos a atenção para os aspectos espirituais. Hoje, quando a família é católica, logo se pensa em batizar o recém-nascido, para ele ser o quanto antes filho de Deus. E essa é uma grande diferença entre nascer antes ou depois de Cristo: a possibilidade de se tornar filho de Deus. Evidentemente, é grande o contraste entre uma civilização formada por filhos de Deus e outra constituída de pagãos.
Vivendo num mundo que herdou da Igreja Católica muitas de suas instituições, leis e princípios, e no qual os costumes foram suavizados pela virtude da caridade, é por vezes difícil conceber como eram antes do Cristianismo, entre os pagãos, as circunstâncias do nascimento de uma criança.

Esparta: o extermínio dos débeis

Tomemos o exemplo da conhecida cidade grega de Esparta, famosa na Antiguidade, não só pelo valor de seus exércitos, como também pelo seu "modelo educacional", cujos ecos chegaram até hoje. Quando alguém quer qualificar de rígido e exigente um regime educativo, dá-lhe o nome de espartano. Porém, os mais rigorosos métodos ocidentais de educação ficam muito aquém do espartano, pois este, à sua extrema severidade, acrescentava a crueldade.

Como Esparta era uma cidade inteiramente voltada para a guerra, os habitantes tinham de ser fortes e saudáveis. Por isso, seus governantes impuseram uma política de seleção física, com vistas a formar bons guerreiros, que vigorava desde o nascimento do cidadão.

Todo recém-nascido era submetido ao exame de um conselho de anciãos, os quais verificavam se ele era apto para a vida e para a guerra, ou se tinha alguma deficiência. Se o resultado do exame era negativo - por tratar-se de criança muito débil ou portadora de deficiência física - a sentença cruel e inapelável a condenava a ser abandonada nos montes Taígeto ou lançada em um abismo. Só aos fortes era dado o direito de viver...

O culto a Baal entre os fenícios

Os fenícios não ficavam atrás em crueldade, pois fazia parte do seu culto idolátrico imolar crianças à divindade: elas eram lançadas vivas na boca de uma imensa estátua do deus, cujo interior era uma fornalha onde morriam devoradas pelas chamas. E não é difícil conjeturar que, muitas vezes, a preferência fosse dada às mais débeis ou deficientes. Tanto as Sagradas Escrituras como autores da Antiguidade fazem referência aos holocaustos humanos a Baal ou Moloch.

Direitos do "pater familias" em Roma

Já em Roma, cujos princípios jurídicos atravessaram os séculos, as leis davam ao pai o poder de rejeitar seu próprio filho recém-nascido. Ou de vendê-lo como escravo, quando necessitasse. Ele tinha direito de vida e de morte sobre os membros de sua família; podia tirar a vida de algum deles que cometesse um delito grave. Quanto aos escravos, nem eram considerados, juridicamente, como pessoas, mas apenas como coisas - res - sem nenhum direito ou garantia.

Tais atitudes ou "direitos" paternos chocam, com razão, nossos sentimentos cristãos. Mas, dada a natureza humana concebida no pecado original, é o que não raro acontece quando a sociedade temporal se afasta de Deus e se deixa dominar pelos vícios descritos por São Paulo, em sua Epístola aos Romanos: "São repletos [os romanos dessa época] de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade. São difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, rebeldes contra os pais. São insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia" (Rm 1, 29-31).

Não espanta, pois, que conhecidos autores antigos tenham definido o relacionamento entre os homens de seu tempo com a conhecida frase "homo homini lupus" (o homem é um lobo para o outro homem).

A lei da caridade: a inovação do Cristianismo

Nosso Senhor Jesus Cristo veio a este mundo - o qual se regia pela lei de Talião: olho por olho, dente por dente - promover uma autêntica subversão dos costumes da época, pregando a mansidão, a misericórdia e a compaixão para com os sofredores e os mais fracos, nos quais o cristão deve ver o próprio Cristo padecente. Com efeito, no dia do Juízo, Jesus recompensará os justos pelo bem que fizeram, praticando a caridade para com os pequeninos, como se o tivessem feito a Ele próprio: "Porque tive fome e Me destes de comer, tive sede e Me destes de beber; era peregrino e Me recolhestes; estava nu e Me destes de vestir; adoeci e Me visitastes; estive na prisão e fostes ter comigo (...) Em verdade vos digo: sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes" (Mt 25, 34-40).

As obras de misericórdia enumeradas pelo Redentor na descrição do Juízo Universal bem podem ser qualificadas como OBRAS o código de conduta do cristão, o qual, no decorrer dos séculos, de tal forma impregnou a sociedade que se multiplicaram as instituições destinadas a auxiliar os desvalidos.

Uma grande invenção da caridade

Por exemplo, os hospitais. Na Antiguidade, em caso de doença, cada um se curava como podia, fazendo uso dos rudimentares conhecimentos intuitivos de sua comunidade. Se o doente tinha posses, contratava um médico para vir à sua casa e lhe aplicar a medicina da época. Com o advento do Cristianismo, a virtude da caridade suscitou em pessoas piedosas a dedicação de visitar os enfermos e levar-lhes socorros. Até que uma nobre romana de nome Fabíola, movida pelo amor a Deus e ao próximo, teve a idéia de construir um edifício para recolher os pobres doentes sem recursos. Ela mesma lhes prestava caridosamente os serviços de enfermagem, junto com outras damas cristãs. Estava fundado o primeiro hospital da História. Quantos progressos a medicina deve ao fato de ter sido "inventado" o hospital por essa dama romana, Santa Fabíola! Hoje em dia, não se concebe a civilização sem estabelecimentos hospitalares. Mas a humanidade passou milênios sem que a ninguém ocorresse essa idéia tão simples de recolher os doentes numa casa, para melhor os atender.

Não faltaram na Antiguidade grandes inteligências, nem gênios, nem sábios, cujos nomes até hoje conhecemos. Faltava a virtude da caridade, que só um Deus era capaz de pregar e infundir nas almas: "amar o próximo como a si mesmo".

O florescimento das instituições de assistência aos necessitados

De igual modo, à medida que o Cristianismo se espalhava pelo mundo, a caridade foi inspirando outras iniciativas para atender aos pequeninos, baseando-se nas palavras e no exemplo de Jesus. É o caso dos asilos de crianças abandonadas ou órfãs.

Durante séculos, a "roda" foi uma verdadeira instituição, pois era o procedimento habitual para entregar os filhos nos orfanatos, com a total garantia de anonimato. Havia na portaria dos conventos femininos uma abertura na parede, na qual estava fixado um grande cilindro giratório, em posição vertical, com uma abertura suficiente para colocar objetos ou pacotes que eram passados de um lado para o outro, fazendo girar a "roda", sem possibilidade de comunicação visual ou contacto físico entre as freiras e os visitantes. Através dessa "roda", os orfanatos recebiam as crianças abandonadas pelos pais que não tinham condições de sustentá-las, sem ser exigido o preenchimento de nenhum formulário ou comprovante. O choro aflito do pequenino era o único documento comprobatório de sua condição, suficiente para ele ser imediatamente recolhido pelas solícitas mãos das religiosas. A Igreja, como boa mãe, suscitou legiões de virgens consagradas que assumiam a maternidade desses irmãozinhos de Nosso Senhor Jesus Cristo, os vestiam, alimentavam e educavam com todo o esmero, até atingirem a maioridade.

No mundo luso, por exemplo, até hoje a Santa Casa da Misericórdia presta assistência aos mais desfavorecidos, sobretudo no campo da saúde. Desde sua fundação, pela Rainha Dona Leonor, em 15 de agosto de 1498, esta obra de leigos mantém numerosos hospitais e orfanatos, exercendo o que seria, nos dias atuais, a função de ministério da saúde e da previdência social.
Também na Itália, as Misericórdias prestam ainda idênticos serviços ao próximo. Foram fundadas por iniciativa de São Pedro, Mártir de Verona. "Em 1244, em Florença, reuniu um grupo de cidadãos de todas as idades e classes sociais, desejosos de honrar a Deus mediante obras de misericórdia para o bem do próximo, no anonimato mais absoluto e na gratuidade total" (Discurso de Bento XVI à Confederação Nacional das Misericórdias da Itália e aos doadores de sangue, 10/11/2006).

"Deixai vir a Mim as criancinhas"

Embora o espírito de caridade não se meça por estatísticas, não deixa de ser surpreendente a quantidade de associações eclesiais voltadas para dar assistência à infância, nos cinco continentes: 8.968 orfanatos, 11.675 jardins de infância e 91.550 escolas primárias, além de outras obras assistenciais.

É esta uma das formas pelas quais a Igreja, através de suas instituições, imita o Divino Salvador no episódio tão conhecido quanto comovedor, no qual Ele acolhe as crianças que os discípulos desprezavam: "Apresentaram- Lhe umas criancinhas para que Ele as tocasse, mas os discípulos repreenderam os que as tinham trazido. Vendo isto, Jesus indignou-Se e lhes disse: ‘Deixai vir a Mim as criancinhas; não as afasteis, pois a elas pertence o Reino de Deus'. (...) Depois tomou-as nos braços e abençoou-as, impondo- lhes as mãos" (Mc 10, 13-16).

Neste curto fato narrado pelo Evangelho, manifestasse o confronto entre a mentalidade dominante na Antiguidade - de desprezo pelos débeis, máxime pelas crianças, considerando-os quase como seres sub-humanos -, refletida na atitude dos discípulos, e o regime da caridade instituído pelo Mestre, dando primazia à infância: "Quem receber um menino como este, em meu nome, é a Mim que recebe" (Mt 18, 5). E não passa despercebido o fato de Jesus Se indignar, como relata São Marcos, com a atitude pouco caritativa dos discípulos de querer afastar as crianças. Este detalhe torna mais evidente quanto agrada a Deus que se faça o bem às criancinhas.

Os Servos da Caridade

Ao longo da história da Igreja, conforme as necessidades de cada época e lugar, a Providência Divina foi suscitando as mais variadas obras para atender às necessidades dos "pequeninos". No século XIX, agravaramse os problemas sociais, aumentou o número de carentes, mas o Pai não os deixou abandonados.

No último quartel desse século, o Beato Luís Guanella fundou os Servos da Caridade. Seu carisma é o anúncio da paternalidade de Deus, especialmente aos mais pobres e abandonados, fazendo- lhes ver que o Pai não esquece nenhum dos seus filhos. Atualmente, a obra dispõe de mais de 200 centros de atividades, em 25 nações, onde são atendidos menores e adultos portadores de deficiências psico-físicas, idosos abandonados, bem como jovens e adolescentes em situação de risco. "Todo o mundo é pátria vossa... não se pode parar enquanto houver pobres para socorrer" - repetia Dom Guanella a seus seguidores.

Sua obra iniciou-se em 1881, em Pianello Lario, norte da Itália, fruto de uma circunstância fortuita. O fundador de um asilo de órfãos e idosos, o Pe. Carlos Coppini, acabava de morrer, deixando sem direção um grupo de moças que se dedicavam ao cuidado e manutenção desse estabelecimento caritativo. O bispo diocesano entregou então a Dom Guanella a responsabilidade da obra. Nascia assim a congregação das Filhas de Santa Maria da Providência, com a finalidade de cuidar desses "bons filhos", como lhes chamava o Beato. Pois ele estava convicto de que uma vida vale pelo que ela é - "um presente de Deus" - e não pelo que pode produzir.

Mais tarde, transferiu as atividades para Como, onde em pouco tempo floresceu a Casa da Divina Providência, não sem passar por numerosas privações, dificuldades e adversidades. Mas, nem o incêndio que destruiu completamente a casa, em 1896, foi capaz de quebrar em Dom Guanella a confiança no auxílio divino. Nessa noite, acolheu seus "bons filhos" na igreja, dizendo ao Senhor: "Com teus desígnios misteriosos, permitiste que nossa casa fosse incendiada; pois bem, permaneceremos aqui contigo". No dia seguinte iniciou o planejamento da reconstrução.

"Para receber da Providência com duas mãos, é preciso dar aos pobres com quatro mãos", repetia ele, incitando os demais a confiarem sempre no auxílio de Deus.
No carisma de Dom Guanella, nota- se certa similitude com dois grandes santos da mesma época, tanto pelo amor aos pobres, como pela confiança cega no auxílio da Providência: São João Bosco e São José Benedito Cottolengo. O próprio Dom Guanella confessou a influência que ambos exercerem sobre ele: "O Senhor quis que me encontrasse com Dom Bosco e com a obra do Cottolengo. Aos dois eu admirei e cresceu em mim mais fortemente o amor aos pobres, por tudo quanto aprendi com eles".

Casa-Mãe dos Servos da Caridade foi construída na região do lago de Como, numa área pantanosa que o Beato Guanella recuperou com a colaboração de seus "bons filhos" em condições de trabalhar. "Ele enlouqueceu - diziam muitos - e vai enterrar sua obra nessa cova pantanosa!" Os fatos desmentiram os céticos, pois com o tempo nasceu ali um próspero povoado.

Dom Guanella entregou sua alma a Deus no dia 24 de outubro de 1915. S.S. Paulo VI o beatificou em 25 de outubro de 1964. Sua existência foi uma pregação viva da mensagem do Evangelho: "Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes" (Mt 25, 40).

"O Espírito é o mesmo"

Se causa alegria ver a similitude de certos carismas, como aqueles que estão voltados para o cuidado dos pobres ou das crianças, não causa menos admiração ver a diversidade de dons na Igreja. São Francisco de Assis, por exemplo, desposou- se com a Dama Pobreza, praticando o desprendimento dos bens terrenos com uma radicalidade incomum.
Outros carismas inspiraram a Civilização Cristã européia, as catedrais e cultivaram o esplendor da Liturgia. Outros ainda favoreceram o conhecimento teológico e dogmático, havendo também os que se empenharam na difusão da verdade, lançando-se na evangelização. Todos eles deram seu contributo para o anúncio do Reino de Deus. Essa colaboração recíproca entre os diferentes carismas, segundo nos ensina o Apóstolo, deve ser caracterizada pela harmonia análoga à existente entre os membros de nosso corpo, pois fazemos parte do Corpo Místico de Cristo. "Há, pois, diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo, há diversidade de serviços, mas o Senhor é o mesmo, e há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos" (1 Cor 12, 4-6).

No entanto, por mais excelentes que sejam os dons concedidos por Deus, um excede todos os outros e deve estar sempre presente:

"Aspirai com ardor aos melhores dons - aconselha o Apóstolo - Vou mostrar-vos um caminho que ultrapassa tudo. (...) Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que possua a fé em plenitude, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. Ainda que distribua todos os meus bens em esmolas e entregue o meu corpo a fim de ser queimado, se não tiver caridade, de nada me aproveita. A caridade é paciente, a caridade é benigna, não é invejosa; a caridade não se ufana, não se ensoberbece, não é inconveniente, não procura o seu interesse, não se irrita, não suspeita mal, não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade nunca acabará" (1 Cor 12, 31; 13, 1-8).

Fonte: www.arautos.org

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